domingo, 25 de abril de 2010

ANTÓNIO SANTOS - Pintor

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MULHER


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O sangue é algemas
cor e dor
exuberância feminina
obscena e explorada
na confusão de cores e volumes
cores que se abraçam e entrelaçam
ou não
provocadora...
a mulher também
em todas as cores
em todas as dores...
mágicas
do arco-íris.
J. M. Gonçalves

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ANTÓNIO SANTOS SILVA

Nasceu na aldeia de Castro (Valpaços), foi viver para Jou, aos 10 anos de idade.
Aos 24 anos emigrou para Paris, trabalhando em diversos ofícios.
Actualmente tem uma empresa de pintura e restauro de imóveis onde trabalha.

O permanente contacto com pintores e a pintura leva-o a enveredar por este processo de expressão artística e cultural.
Frequentou vários cursos de escultura pintura, e modelagem, no Carroussel do Louvre, com conceituados Mestres da Pintura.
Começou a expor os seus trabalhos em Exposições colectivas, e depois em Exposições individuais: em França, na Bélgica, na Alemanha e em Portugal.

POEMAS ILUSTRADOS

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EMAÚS
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A dois passs da esperança

O caminho era cada vez mais longo.
Tantas vezes o percorreram.
Porquê agora, aquele peso na alma
e o desgosto a consumi-los por dentro,
aquela conversa trôpega, quase murmurada,
como se estivessem a guardar um segredo,
ou a esconder a angústia
que lhes ia na alma, com o coração em pedaços.
- De que falais?
Vidas. Consumiu-se a nossa esperança,
sonhámos a liberdade, um mundo novo,
a alegria da mão que se estende, na doação fraterna,
no entusiasmo de dar alegria e viver. Tudo morreu
tudo desapareceu
no maior sofrimento,
no limiar da morte,
atravessado de cravos…
- Porquê essa conversa?
- Que pergunta! Aconteceu.
E agora? Temos os sonhos lavados em lágrimas.
A promessa fugiu-nos por entre os dedos,
Como água que não beberemos.
- Mas não devia ser assim?
- Correram vozes que quase nos fizeram acreditar…
mulheres!
É noite, fica connosco, faz-nos companhia.
Repartiremos contigo
o que tivermos.
Um gesto, um olhar, um pedaço de pão…
uma alegria fogosa, mas tranquila
empurrou-os numa corrida para Jerusalém.
Entraram com a notícia
mas não era novidade .O coração deu um salto.
Na alma assustada, num eco longínquo
o coração, ainda aos pulos de alegria e confusão,
lembrou:
- Mas, não devia ser assim?

J. M. Gonçalves

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Frederic Chopin (1810-1849)

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Assinatura
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Frédéric Chopin (Żelazowa Wola, 1 de Março de 1810[1] — Paris, 17 de Outubro de 1849) foi um pianista polaco[2] e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história[3] Sua técnica refinada e sua elaboração harmónica vêm sendo comparadas historicamente com as de outros génios da música, como Mozart e Beethoven, assim como sua duradoura influência na música até os dias de hoje uma técnica refinada e sua elaboração harmónica vêm sendo comparadas historicamente com as de outros génios da música, como Mozart e Beethoven, assim como sua duradoura influência na música até os dias de hoje

CHOPIN

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MIRÓ


Iguais
os acordes e a marcha
lenta
de despedida.
O piano é mais triste
ainda!
É o apagar de uma vida
de uma viagem
e um adeus.

J. M. Gonçalves

domingo, 11 de abril de 2010

SENHORA DAS DORES

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Van Gogh

Eis o mandamento
e a dor
de amar ainda mais
esse teu filho
a quem te deixo
nas encruzilhadas do mundo
a espalhar gestos de mãe
nos rostos e nas dores
de tantos
abandonados
perseguidos
derreados pelo cansaço
da vida
das feridas abertas
no corpo e na alma
no desencanto dos dias
sem luz nem norte
e tu
aí tens a Mãe
que é tua também
a quem acolhes
nas preces de cada dia
com o coração despedaçado
porque lhe vai ser tirado
o filho que deu à luz.
Faz do teu coração
a sua casa.

J. M. Gonçalves

sábado, 27 de março de 2010

PORCA DE MURÇA

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PORCA DE MURÇA


duraremos
a eternidade circular
da sua forma ambígua e
tumular

deusa-mãe do
terror que a fé na pedra copiou
e que o musgo do tempo disfarçou

a nossa condição é o seu rito
criaturas geradas
das suas entranhas geladas
de granito


Fernão de Magalhães Gonçalves
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Porca de Murça

É o símbolo que identifica a vila de Murça.
Esta escultura em granito, encontra-se rodeada por lendas popular, não sendo exacta qual a sua verdadeira proveniência e propósito.
A lenda mais popular é que no século VIII esta povoação e o seu termo eram assolados por grande quantidade de ursos e javalis. Os senhores da Vila, secundados pelo povo, tantas montarias fizeram que extinguiram tão daninha fera, ou escorraçaram para muito longe. Mas, entre esta multidão de quadrúpedes, havia uma porca (outros dizem ursa) que se tinha tornado o terror dos povos pela sua monstruosa corpulência, pela sua ferocidade, e por ser tão matreira que nunca poderia ter sido morta pelos caçadores. Em 775, o Senhor de Murça, cavaleiro de grande força e não de menor coragem, decidiu matar a porca, e tais manhas empregou que o conseguiu; libertando a terra de tão incomodo hóspede. Em memória desta façanha se construiu tal monumento, alcunhado “a Porca de Murça”, e os habitantes da terra se comprometeram por si e seus sucessores, a darem ao Senhor, em reconhecimento de tão grande benefício, para ele e seus Herdeiros, até no fim do inundo, cada fogo três arráteis de cera anualmente, sendo pago este foro mesmo junto à porca.
No entanto, há quem defenda que os atributos masculinos bem visíveis não enganam, e que a Porca de Murça, é na verdade um berrão, do mesmo género dos que se encontram frequentemente na zona oriental de Trás-os-Montes, relacionados com um culto da fertilidade de povos pré-romanos.
Seja como for, é hoje um monumento que se ergue, orgulhoso sobre um plinto, no jardim da praça central, com os seus impressionantes 2,8 metros de medida no ventre, 1,10 m de altura e 1,85 m de comprimento.

domingo, 21 de março de 2010

DA POESIA

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PARA SEMPRE
(ao Pedro))

É hoje, é todos os dias
são todos os momentos
na vida
que passa devagar,
no nosso sim eterno a partir de cada aurora
dois corações a palpitar
de esperança
num só
nesta demora de prazer e lágrimas
neste presente repetido
de sofrimento
no oferecer e lembrar em cada lágrima perdida
de angústia e azul
na sombra envergonhada que nos segue
e seguirá
nas horas aflitas que foram as nossas…
Amanhã voltará
a alegria e a dor
de amar
para sempre.
Milagres, só o amor…

J.M. Gonçalves
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